Esta é a última postagem de uma série sobre a Revolução da Informação. Este texto foi originalmente escrito por mim, como uma resenha para o artigo “A Informação como Mito”, de Langdon Winner, para a matéria de “Informática e Sociedade” do meu curso, mas acabou sendo publicado na coluna “Opinião” do site do vereador Cícero Teixeira. Como o texto ficou bacana, resolvi compartilhar com vocês aqui também.
Deve-se, desde agora, trabalhar para que sistemas sempre trabalhem pelo e para o usuário, deixando-o no controle. Não podemos ser escravos da informática, deixando de trabalhar por causa de falhas técnicas. Não podemos nos “emburrecer”, por causa da quantidade massiva e desorganizada de informação. Nessa revolução da informação, não podemos pensar em “quais as idéias, passadas por uma informação, importam”, até porque, todas as idéias, de alguma forma nos importam, seja para julgarmo-las válidas ou não. A questão é como elas nos importarão, como estas serão julgadas.
Pessoas recém-incluídas digitalmente, por exemplo, sabem fazer essa análise? O objetivo (e a esperança) da Inclusão Digital é, senão estreitar, realinhar a distância entre as classes altas e baixas no acesso à informação, e, com isso, torná-las menos reprimidas e mais influentes. Porém, da maneira que está sendo feito, esse realinhamento não está sendo eficiente. Raros os recém-incluídos que não se interessam somente pelo Orkut e por outras ferramentas sociais banalizadas. Será que podemos associar diretamente pessoas de classes mais baixas a pessoas mal-informadas? E, se sim, estas administram a informação de uma maneira tão diferente assim das que vêm de classes mais altas? Geralmente, e, infelizmente, sim.
Profissionais de tecnologia, se preocupados com os usuários, com suas questões psicossociais, criam sistemas e dispositivos mais amigáveis, que dispensem ajuda ou necessidade de inclusão; governos, se preocupados com a inserção e o aproveitamento da tecnologia, dentro da sua própria administração (assim como a Casa Branca está fazendo agora); as pessoas, se culturalmente transformadas, sabendo julgar, filtrar informação relevante (que deveria ser mais semântica), todos estes comporão uma revolução completa e democrática, que acontecerá em todos os países, em todas as classes e para todos os tipos de pessoas.